O alto nível calórico e o desenvolvimento de ferramentas para melhorar a mastigação da carne foram crucias na evolução dos seres humanos. Essa foi a conclusão que os biólogos evolucionistas da Universidade de Harvard,  Katherine Zink e Daniel Lieberman, obtiveram com seus estudos.

O consumo apenas de vegetais e frutas não proporcionava a quantidade necessária de calorias para os seres pré-humanos, além disso, raízes eram difíceis de serem mastigadas cruas. Ao analisarem fósseis do Homo erectus, que viveu há 2 milhões de anos, os pesquisadores identificaram que, apesar de ter cabeça e corpo maiores que os pré-humanos anteriores a ele, a dentição, boca e sistema digestivo eram mais delicados. Essas mudanças podem ter ocorrido devido a criação de instrumentos para facilitar a ingestão de proteína animal – como lanças e martelos feitos de pedra, que auxiliaram no corte e trituração do alimento.

A pesquisa sobre evolução:

Os especialistas alimentaram 24 voluntários com três tipos de raízes (cenouras, batata-doce e beterraba) e um tipo de carne (de cabra, que foi servida crua – tomando os devidos cuidados com possíveis patogênicos). Os alimentos foram processados, fatiados com instrumentos de pedra ou amaciados. Utilizando eletrodos na mandíbula dos pesquisados, os pesquisadores mediram quanto os músculos da cabeça trabalhavam para garantir o processamento do alimento. Os resultados da pesquisa mostraram que, ao modificarem suas dietas, incluindo carne que foi cortada ou amaciada, os esforços que os ancestrais fizeram para mastigar reduziram em 26%. O corte da carne reduziu em 12% a força necessária para mastigar.

Com o uso de ferramentas que cortassem a carne, os grandes dentes usados para rasgar a proteína já não eram mais necessários. Essa mudança pode ter ocasionado alterações no crânio e no pescoço,  auxiliando no desenvolvimento dos órgãos relacionados à fala.  “O processamento da carne com ferramentas de pedra e, mais tarde, com o cozimento, desempenhou um papel importante na evolução humana. A transformação trouxe rostos mais curtos e uma estrutura que permitiu o aumento no tamanho do cérebro. Parte do que nós somos hoje é resultado da redução da mastigação”, explicou Daniel Lieberman.

 

 

Fonte: https://veja.abril.com.br/ciencia/como-a-ingestao-de-carne-ajudou-na-evolucao-humana/
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